Juarez Machado de Farias é um artista multifacetado brasileiro, atuando como poeta, músico, locutor e advogado. Concluiu a Oficina de Criação Literária da PUC-RS com o professor Luiz Antonio de Assis Brasil em 2011
🎶 Música e Poesia Gaúcha
Juarez é conhecido por sua contribuição à música e poesia gaúcha. Seus trabalhos incluem canções
como "Parem as Rodas dos Carros", "O Andarilho e a Estrada" e "Estradas e Tardes", presentes no álbum O Violeiro e o Poeta (2017) . Ele também participou de projetos como o 7º Seival da Poesia Gaúcha e Música Instrumental e Sesmaria da Poesia Gaúcha - 3ª Quadra .
Suas músicas estão disponíveis em plataformas como Spotify, Apple Music e Amazon Music
📻 Atuação como Locutor e no Rádio
Além de sua carreira musical, Juarez atua como locutor. Desde 2011 ele apresenta o programa "Canto dos Livres" na Rádio Nativa FM 94.1 em Piratini de segunda a sexta-feira, das 5h às 7h30, o programa destaca música, poesia e literatura, com ênfase na cultura regional gaúcha.
📚 Literatura e Criação Literária
Juarez também se dedica à literatura. Sua formação na Oficina de Criação Literária da PUC-RS reflete seu interesse e envolvimento com a escrita .
📍 Origens e Formação
Juarez nasceu no 3º Distrito de Piratini, no encontro das águas do Arroio Barrocão e do Rio Camaquã. Após concluir o curso de Direito na Universidade Federal de Pelotas em 1997, estabeleceu-se na cidade de Piratini, onde reside até hoje.
✍️ Produção Literária e Musical
Juarez é autor de mais de cinquenta poemas e letras de músicas de temática regionalista, como "Se Marx fosse peão", "Guri do Campo", "O Forneiro e o Porteirão" e "Aviso".
Sua primeira letra gravada foi "Sem Água Pro Mate", musicada por Joca Martins e interpretada por Flávio Hanssen, apresentada na 5ª Vertente da Canção Nativa em 1994.
📚 Influências e Estilo
Entre suas influências literárias estão Luiz Coronel, Apparicio Silva Rillo, Jaime Vaz Brasil e Sérgio Napp. Juarez busca equilibrar a simplicidade do campo com a vida urbana, refletindo essa dualidade em seus versos.
🏡 Vida Pessoal e Rotina
Juarez mantém uma rotina disciplinada, acordando cedo para apresentar seus programas de rádio. Além disso, dedica-se à advocacia e à produção literária em seu escritório localizado em sua residência.
📱 Contato e Redes Sociais
Você pode acompanhar o trabalho de Juarez Machado de Farias através de suas redes sociais:
🏅 Reconhecimentos
Em 2011, Juarez recebeu a Comenda Ana Clara Vaz, concedida pelo Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piratini, em reconhecimento à sua colaboração com o Movimento Negro.
🏆 Reconhecimentos e Participações
Juarez Machado de Farias é presença constante em festivais nativistas e eventos culturais no Rio Grande do Sul. Sua obra "Se Marx fosse peão" ganhou destaque ao ser utilizada por um juiz do trabalho em Santa Catarina como parte de uma sentença judicial, evidenciando a relevância social de sua poesia.
🌐 Presença Online
Para acompanhar mais sobre o trabalho de Juarez Machado de Farias, você pode visitar:
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Seu blog pessoal, onde compartilha textos e reflexões. (clique neste link para consultar o blog)
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Seu perfil no Instagram, com atualizações sobre suas atividades culturais.
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Sua página no Facebook, com informações sobre eventos e publicações.
📄Algumas de Suas Obras
"Por Aqui As Casas Falam"
Esse poema é o título de seu segundo livro, publicado em 2008 pela Editora Pallotti. A obra é uma coletânea de poemas que refletem sobre o patrimônio histórico e as memórias da cidade de Piratini, no Rio Grande do Sul, sua poesia da voz às casas antigas da cidade, como se elas contassem suas próprias histórias.📚 Onde Comprar
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Disponível por R$ 17,43, o exemplar está em ótimo estado de conservação e inclui ilustrações coloridas. -
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Acompanhe o autor nas redes sociais: Juarez Machado de Farias mantém um blog pessoal onde compartilha informações sobre suas obras e eventos.
POR AQUI AS CASAS FALAM
Derrubava sua bastilha,
Nascia também, aqui,
A vila Piratini,
Sob um olhar de coxilha.
Uma saga de esperança
Iniciada nos Açores
Por aqui plantou as casas,
Por aqui fechou as asas
E casais plantaram flores.
Antes da espada e da lança,
Essas almas tinham fé.
Rezando à Nossa Senhora
Da Conceição, eis agora
A Igreja Matriz de pé!
Mas quando a Província cansa
Do esquecimento do Império,
Nas bandeiras sopra um vento
Com ordens de regimento,
E os homens saem do sério!
É a república que avança
Com a vitória no Seival,
No grito altivo de Neto,
Certeiro como um decreto,
Agudo como punhal!
A coragem, sem tardança,
É luz que não se despede:
E o sonho se faz em ti.
Teu nome, Piratini,
Vai ser palácio e ser sede!
E mesmo na contradança
Dos anos que, hoje, resvalam,
Para cá viajam turistas
Que afirmam, brilhando as vistas:
“Por aqui as casas falam!”
Embora o jeito criança
Que desde a vila nasceu,
Piratini, tão antiga,
É a bica de água amiga,
A camarinha, o museu.
Se o desencanto me alcança,
Pelos ideais traídos,
Lanceiros Negros, clarins,
De novo, nestes capins,
Vêm gritar nos meus ouvidos.
Na tricolor que balança,
O escravo e sua verdade
Gravaram a pé-no-chão
A triste contradição
Da “nação” sem igualdade.
..........
Mas ficará na lembrança
Dos que seguem longe trilha
A marca desta cidade:
A velha hospitalidade
Da Capital Farroupilha!
"Verso de Azul"
VERSO DE AZUL
Havia quem me contasse histórias...
E a noite vinha muito cedo
Porque a velhinha da minha infância
Dormia cedo e se chamava...
Dindinha!...
Arisca feito a menina de ontem,
Altiva como a figueira guapa...
Contou-me o primeiro encanto
Que a noite sabe guardar
Em seu baú de recôncavos...
Cantou-me a canção primeira
E dedilhou guitarras invisíveis
No aramado azul do meu peito...
João e Maria... Pedro Malazartes...
Tinha vários livros no cofre da alma
E me deixava folhear um a um...
Fazendo neles “orelhas de burro”,
Machucando a face das páginas...
Havia quem me contasse histórias...
Madrinha do meu irmão maior,
Eu a fizera minha também...
O doce do pão-de-ló ficou na língua
Da minha saudade...
E quando ela se foi,
Me revelou o primeiro assombro...
Ensinou-me as lágrimas,
Ensinou-me o lenço,
Ensinou-me a morte...
E querendo secar meu pranto,
Subiu num fio de luar
Para o espaço azul
Do meu sonho.
Sentou-se num floco de nuvens
E de lá me olha e sorri,
Sem jamais tirar a dentadura...
Por isso, a noite é berço de ternura
Que eu soube garimpar, quando guri.
Bolicho Sortido
Se Marx fosse peão
🧾 Conteúdo e Temática
O poema coloca Marx na pele de um operário da vida real, distante dos livros e da teoria, para mostrar que a luta de classes, a exploração do trabalho e as injustiças sociais são experiências concretas e cotidianas. Essa “encarnação” de Marx como um “peão” (trabalhador comum) serve para evidenciar:
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A atualidade das ideias marxistas, mesmo em sociedades periféricas.
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A dura realidade do trabalho, onde direitos básicos ainda são negados.
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A ironia e crítica ao sistema capitalista, que muitas vezes ignora ou despreza a dignidade do trabalhador.
📚 Repercussão
O poema ganhou notoriedade em 2015, quando foi citado na íntegra em uma sentença trabalhista por um juiz de Santa Catarina. O magistrado o utilizou para ilustrar as condições degradantes enfrentadas por um trabalhador rural. Essa decisão judicial foi considerada inusitada e provocativa, o que deu visibilidade nacional ao texto e ao autor.
SE MARX FOSSE PEÃO
"...A estância se acordou em dia de camperiada
Chiando pelas cambonas, prá se iniciar a mateada
De repente um peão barbudo, atando a segunda espora
Abriu a boca sizuda, pondo "o zóio" campo afora
E falou pros companheiros de mesmo rumo e ofício
Numa tal de mais valia,
Falando em tom de comício, contando um pouco de história...
A peonada leva tropa prá morrer no matadouro
Esfola a bunda nos "basco", o sol velho queima o couro
Mas o patrão barrigudo é que embolsa todo o ouro
Se madruga todo o dia prá laçar e curar bicheira
Se afunda o garrão no barro, com essas vacas da mangueira
E co que nos sobra de tudo?
Só hemorróida e frieira
... Ainda fazem rodeio, em nome da Tradição
Os boi com a língua de fora prá alegria do patrão
O que era duro ofício se transforma em diversão
E tem mais: A propriedade deve ser de quem trabalha
Quem sustenta a casa grande são nossos ranchos de palha
Se a peonada joga truco, o patrão é que embaralha
... e a estância continuou, no mesmo tranco afinal
Terêncio jogando laço, Nestor montando o bagual
E o patrão com a guaiaca forrada dos capital.
Juarez Machado de Farias

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