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terça-feira, 20 de maio de 2025

Juarez Machado de Farias

Juarez Machado de Farias é um artista multifacetado brasileiro, atuando como poeta, músico, locutor e advogado. Concluiu a Oficina de Criação Literária da PUC-RS com o professor Luiz Antonio de Assis Brasil em 2011 

🎶 Música e Poesia Gaúcha

Juarez é conhecido por sua contribuição à música e poesia gaúcha. Seus trabalhos incluem canções
como "Parem as Rodas dos Carros", "O Andarilho e a Estrada" e "Estradas e Tardes", presentes no álbum O Violeiro e o Poeta (2017)
. Ele também participou de projetos como o 7º Seival da Poesia Gaúcha e Música Instrumental e Sesmaria da Poesia Gaúcha - 3ª Quadra .

Suas músicas estão disponíveis em plataformas como Spotify, Apple Music e Amazon Music 

📻 Atuação como Locutor e no Rádio

Além de sua carreira musical, Juarez atua como locutor. Desde 2011 ele apresenta o programa "Canto dos Livres" na Rádio Nativa FM 94.1 em Piratini de segunda a sexta-feira, das 5h às 7h30, o programa destaca música, poesia e literatura, com ênfase na cultura regional gaúcha.

📚 Literatura e Criação Literária

Juarez também se dedica à literatura. Sua formação na Oficina de Criação Literária da PUC-RS reflete seu interesse e envolvimento com a escrita .

📍 Origens e Formação

Juarez nasceu no 3º Distrito de Piratini, no encontro das águas do Arroio Barrocão e do Rio Camaquã. Após concluir o curso de Direito na Universidade Federal de Pelotas em 1997, estabeleceu-se na cidade de Piratini, onde reside até hoje. 

✍️ Produção Literária e Musical

Juarez é autor de mais de cinquenta poemas e letras de músicas de temática regionalista, como "Se Marx fosse peão", "Guri do Campo", "O Forneiro e o Porteirão" e "Aviso". 


Sua primeira letra gravada foi "Sem Água Pro Mate", musicada por Joca Martins e interpretada por Flávio Hanssen, apresentada na 5ª Vertente da Canção Nativa em 1994. 

📚 Influências e Estilo

Entre suas influências literárias estão Luiz Coronel, Apparicio Silva Rillo, Jaime Vaz Brasil e Sérgio Napp. Juarez busca equilibrar a simplicidade do campo com a vida urbana, refletindo essa dualidade em seus versos. 

🏡 Vida Pessoal e Rotina

Juarez mantém uma rotina disciplinada, acordando cedo para apresentar seus programas de rádio. Além disso, dedica-se à advocacia e à produção literária em seu escritório localizado em sua residência. 

📱 Contato e Redes Sociais

Você pode acompanhar o trabalho de Juarez Machado de Farias através de suas redes sociais:

🏅 Reconhecimentos

Em 2011, Juarez recebeu a Comenda Ana Clara Vaz, concedida pelo Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piratini, em reconhecimento à sua colaboração com o Movimento Negro.

🏆 Reconhecimentos e Participações

Juarez Machado de Farias é presença constante em festivais nativistas e eventos culturais no Rio Grande do Sul. Sua obra "Se Marx fosse peão" ganhou destaque ao ser utilizada por um juiz do trabalho em Santa Catarina como parte de uma sentença judicial, evidenciando a relevância social de sua poesia.


🌐 Presença Online

Para acompanhar mais sobre o trabalho de Juarez Machado de Farias, você pode visitar:

  • Seu blog pessoal, onde compartilha textos e reflexões. (clique neste link para consultar o blog)

  • Seu perfil no Instagram, com atualizações sobre suas atividades culturais.

  • Sua página no Facebook, com informações sobre eventos e publicações.                                          

📄Algumas de Suas Obras

Devo ressaltar que foi difícil escolher tão poucas obras para coloca-las aqui das varias magnificas que ele fez tanto na poesia quanto na música etc...

"Por Aqui As Casas Falam"

Esse poema é o título de seu segundo livro, publicado em 2008 pela Editora Pallotti. A obra é uma coletânea de poemas que refletem sobre o patrimônio histórico e as memórias da cidade de Piratini, no Rio Grande do Sul, sua poesia da voz às casas antigas da cidade, como se elas contassem suas próprias histórias.

📚 Onde Comprar

  1. Traça Livraria e Sebo

    Disponível por R$ 17,43, o exemplar está em ótimo estado de conservação e inclui ilustrações coloridas.

  2. Estante Virtual

    Oferecido por R$ 19,92, também em excelente estado.

🛍️ Dicas para a Compra

  • Verifique as formas de pagamento: A Traça Livraria aceita pagamentos via Pix para compras online.

  • Considere o frete: Ambas as plataformas oferecem opções de envio para todo o Brasil.

  • Acompanhe o autor nas redes sociais: Juarez Machado de Farias mantém um blog pessoal onde compartilha informações sobre suas obras e eventos.


POR AQUI AS CASAS FALAM

No mesmo ano em que a França
Derrubava sua bastilha,
Nascia também, aqui,
A vila Piratini,
Sob um olhar de coxilha.

Uma saga de esperança
Iniciada nos Açores
Por aqui plantou as casas,
Por aqui fechou as asas
E casais plantaram flores.

Antes da espada e da lança,

Essas almas tinham fé.
Rezando à Nossa Senhora
Da Conceição, eis agora
A Igreja Matriz de pé!

Mas quando a Província cansa
Do esquecimento do Império,
Nas bandeiras sopra um vento
Com ordens de regimento,
E os homens saem do sério!

É a república que avança
Com a vitória no Seival,
No grito altivo de Neto,
Certeiro como um decreto,
Agudo como punhal!

A coragem, sem tardança,
É luz que não se despede:
E o sonho se faz em ti.
Teu nome, Piratini,
Vai ser palácio e ser sede!

E mesmo na contradança
Dos anos que, hoje, resvalam,
Para cá viajam turistas
Que afirmam, brilhando as vistas:
“Por aqui as casas falam!”

Embora o jeito criança
Que desde a vila nasceu,
Piratini, tão antiga,
É a bica de água amiga,
A camarinha, o museu.

Se o desencanto me alcança,
Pelos ideais traídos,
Lanceiros Negros, clarins,
De novo, nestes capins,
Vêm gritar nos meus ouvidos.

Na tricolor que balança,
O escravo e sua verdade
Gravaram a pé-no-chão
A triste contradição
Da “nação” sem igualdade.

..........

Mas ficará na lembrança
Dos que seguem longe trilha
A marca desta cidade:
A velha hospitalidade
Da Capital Farroupilha!


JUAREZ MACHADO DE FARIAS

"Verso de Azul"

O poema que dá título ao livro, "Verso de Azul", é uma homenagem à figura da "Dindinha", uma personagem que representa a ternura e os ensinamentos da infância. No poema, Juarez rememora as histórias contadas por ela, as canções de ninar e os momentos compartilhados, criando uma atmosfera de saudade e reverência. Através de imagens poéticas, ele descreve a Dindinha como alguém que "dedilhou guitarras invisíveis no aramado azul do meu peito", simbolizando a profunda influência que ela teve em sua formação emocional e artística.
"Verso de Azul" também é o primeiro livro de poemas de Juarez Machado de Farias, publicado em 1995 pela Editora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) . A obra é uma coletânea de poesias que exploram memórias de infância, afetos familiares e a vida no campo.

VERSO DE AZUL

Havia quem me contasse histórias... E a noite vinha muito cedo Porque a velhinha da minha infância Dormia cedo e se chamava... Dindinha!... Arisca feito a menina de ontem, Altiva como a figueira guapa... Contou-me o primeiro encanto Que a noite sabe guardar Em seu baú de recôncavos... Cantou-me a canção primeira E dedilhou guitarras invisíveis No aramado azul do meu peito... João e Maria... Pedro Malazartes... Tinha vários livros no cofre da alma E me deixava folhear um a um... Fazendo neles “orelhas de burro”, Machucando a face das páginas... Havia quem me contasse histórias... Madrinha do meu irmão maior, Eu a fizera minha também... O doce do pão-de-ló ficou na língua Da minha saudade... E quando ela se foi, Me revelou o primeiro assombro... Ensinou-me as lágrimas, Ensinou-me o lenço, Ensinou-me a morte... E querendo secar meu pranto, Subiu num fio de luar Para o espaço azul Do meu sonho. Sentou-se num floco de nuvens E de lá me olha e sorri, Sem jamais tirar a dentadura... Por isso, a noite é berço de ternura
Que eu soube garimpar, quando guri.


JUAREZ MACHADO DE FARIAS


Bolicho Sortido

"Bolicho Sortido – Contos, Versos, Causos e Crônicas" é uma obra publicada em 2017 pela editora Martins Livreiro. Com 100 páginas, o livro reúne textos produzidos ao longo de vinte anos, muitos dos quais foram anteriormente divulgados em jornais e discos .
O título faz alusão ao "bolicho", um pequeno comércio típico do interior do Rio Grande do Sul, conhecido por oferecer uma variedade de produtos. Da mesma forma, a obra apresenta uma diversidade de gêneros literários, incluindo contos, poemas, causos e crônicas, que refletem a cultura e o cotidiano da região sulista.
Onde encontrar:
Você pode encontrar o livro/poema neste link abaixo

Se Marx fosse peão

A obra “Se Marx fosse peão”, um poema marcante e provocativo que une crítica social, sensibilidade poética e reflexão política. Trata-se de um texto que imagina como Karl Marx – o filósofo alemão que inspirou o socialismo e o marxismo – reagiria se vivesse como um trabalhador comum no contexto brasileiro ou latino-americano.

🧾 Conteúdo e Temática

O poema coloca Marx na pele de um operário da vida real, distante dos livros e da teoria, para mostrar que a luta de classes, a exploração do trabalho e as injustiças sociais são experiências concretas e cotidianas. Essa “encarnação” de Marx como um “peão” (trabalhador comum) serve para evidenciar:

  • A atualidade das ideias marxistas, mesmo em sociedades periféricas.

  • A dura realidade do trabalho, onde direitos básicos ainda são negados.

  • A ironia e crítica ao sistema capitalista, que muitas vezes ignora ou despreza a dignidade do trabalhador.


📚 Repercussão

O poema ganhou notoriedade em 2015, quando foi citado na íntegra em uma sentença trabalhista por um juiz de Santa Catarina. O magistrado o utilizou para ilustrar as condições degradantes enfrentadas por um trabalhador rural. Essa decisão judicial foi considerada inusitada e provocativa, o que deu visibilidade nacional ao texto e ao autor.

📍Onde encontrar:
Você pode encontrar o livro/poema neste link abaixo

SE MARX FOSSE PEÃO


     

      "...A estância se acordou em dia de camperiada

      Chiando pelas cambonas, prá se iniciar a mateada

      De repente um peão barbudo, atando a segunda espora

      Abriu a boca sizuda, pondo "o zóio" campo afora

      E falou pros companheiros de mesmo rumo e ofício

      Numa tal de mais valia,

 

      Falando em tom de comício, contando um pouco de história...

      A peonada leva tropa prá morrer no matadouro

      Esfola a bunda nos "basco", o sol velho queima o couro

      Mas o patrão barrigudo é que embolsa todo o ouro

 

      Se madruga todo o dia prá laçar e curar bicheira

      Se afunda o garrão no barro, com essas vacas da mangueira

      E co que nos sobra de tudo?

      Só hemorróida e frieira

 

      ... Ainda fazem rodeio, em nome da Tradição

      Os boi com a língua de fora prá alegria do patrão

      O que era duro ofício se transforma em diversão

 

      E tem mais: A propriedade deve ser de quem trabalha

      Quem sustenta a casa grande são nossos ranchos de palha

      Se a peonada joga truco, o patrão é que embaralha

 

      ... e a estância continuou, no mesmo tranco afinal

      Terêncio jogando laço, Nestor montando o bagual

      E o patrão com a guaiaca forrada dos capital.

      

Juarez Machado de Farias


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