Preservar a memória de uma cidade é também preservar as histórias das pessoas que a viveram de perto. Nesta entrevista, conversamos com Rubens de Leão Farias, morador antigo de Piratini, que compartilhou lembranças valiosas sobre o passado rural e urbano da cidade.
Entre causos, tradições e transformações, ele nos ajudou a reconstruir um retrato afetivo de uma Piratini
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| Foto de perfil dele |
que poucos jovens conheceram, mas que merece ser lembrada. A conversa trouxe à tona costumes, festas, personagens e detalhes do cotidiano que mostram como a cidade mudou — e o que ainda permanece vivo na memória de quem viu tudo acontecer de perto.
A seguir, você confere trechos dessa conversa cheia de histórias e sentimentos.
🧒 INFÂNCIA E JUVENTUDE
“Minha infância foi a fase que mais me marcou.”
Rubens viveu no Cerro Agudo. Conta com carinho dos tempos em que a vida era simples: andar a pé até o bolicho, debulhar milho com a mão, jogar futebol em campos de terra e contar histórias à luz do lampião.
“Quando meu pai comprou uma máquina de debulhar milho, virou uma sensação. Os vizinhos iam só pra ver.”
Ele destaca como a convivência entre vizinhos e parentes era forte, com visitas feitas de carroça e longas conversas ao redor da mesa.
Sua neta, ao ouvir as histórias da infância dele, chegou a perguntar:
“Vô, tu era índio?”
🏫 ESCOLA E EDUCAÇÃO
“A escola é fundamental pra preservar a memória.”
Rubens estudou no Cerro Agudo e depois fez ginásio no Rui Ramos, em Piratini. Lembra das provas orais, da dificuldade de pesquisa, e da amizade entre os colegas.
“Todo mundo pesquisava o mesmo assunto nos mesmos livros. Os trabalhos saíam todos parecidos.”
Ele vê a escola Padre Reinaldo como um instrumento de transformação e acredita que pessoas como Juarez Machado de Farias têm papel essencial na valorização da história local.
🧭 LOCALIDADES E MEMÓRIA RURAL
Rubens fala com detalhes sobre localidades como:
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Rodeio Velho
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Cancelão
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Venda da Lata
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Cruz de Pedra
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Caneleira
Ele cita famílias importantes (Farias, Silva, Ulguim) e sugere a criação de um mapa afetivo de Piratini, incluindo:
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Sangas
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Cruzamentos
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Bolichos
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Moradas
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Pontos de encontro
“Esses lugares não estão no Google, mas têm história de verdade.”
🛒 BOLICHOS E VIDA COMUNITÁRIA
“Se tu queria saber novidade, tinha que ir ao bolicho.”
Na época, não havia telefone nem TV. O bolicho era o centro da vida social e política. Lá se trocavam histórias, se resolviam problemas e se fazia amizade.
📻 TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO
“O rádio pegava melhor a BBC de Londres do que as rádios daqui.”
Rubens viu a primeira TV aos 13 anos, durante o jogo Brasil x Uruguai. Lembra da emoção de ver o Pelé ao vivo.
As notícias vinham por carta — demoravam um mês para ir e voltar. Na Rádio Liberdade, de Canguçu, havia uma meia hora por dia só para notícias de Piratini.
🏘️ CANCELÃO
“Quando eu chegava no Cancelão, parecia outro mundo.”
O Cancelão é um bairro de Piratini que, até hoje, é um centro muito importante da região. A Corsan, onde Rubens trabalhou, levou água tratada até lá nos anos em que trabalhava (o que para ele foi uma grande conquista).
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| Imagem tirada do blog de Juarez Machado de Farias |
🛡️ GUERRAS E POLÍTICA
Guerra dos Farrapos
Rubens respeita o valor da Revolução Farroupilha, mas ressalta:
“A gente sabe muito sobre a guerra... mas o que veio depois, ninguém lembra.”
Revolução de 1923
Foi vivida pela família dele. Um maragato invadiu a casa da sua avó, que estava com o pai dele recém-nascido no colo.
A revolução foi um levante de fazendeiros liderados por Assis Brasil, contra Borges de Medeiros, acusado de fraudar eleições.
“Foi uma briga de coronéis. Na época, o voto era no cabresto.”
✝️ PADRE REINALDO
Rubens ouviu histórias da mãe sobre o padre que dá nome à escola:
“Diziam que ele dormia no chão. Se alguém levava um colchão, ele dava pra quem precisasse.”
Padre Reinaldo era conhecido pela bondade, desapego e generosidade.
🌿 AMBIENTE, ÁGUA E FUTURO
“Piratini está em cima do Aquífero Guarani. Isso é ouro.”
Ele acredita que o futuro da cidade está na produção de alimentos e na preservação da água. E vê as escolas rurais como chave para isso:
“A escola rural tem que ensinar de um jeito que o aluno use o que aprendeu na própria casa.”
🌟 MENSAGEM FINAL
“Vocês têm a missão de preservar o que a nova geração está quase perdendo.”
clique aqui para ver a entrevista completa
Encerramento
Agradecemos imensamente ao Rubens de Leão Farias por compartilhar suas memórias e histórias tão preciosas sobre Piratini. Cada relato traz à tona um pedaço da nossa história, ajudando a fortalecer a conexão entre passado e presente.
Preservar essas lembranças é fundamental para que as futuras gerações compreendam as raízes da nossa cidade e valorizem a cultura local. Esperamos que este encontro inspire mais pessoas a conhecerem, contarem e celebrarem a rica história de Piratini.
Se você também tem histórias para contar ou fotos antigas da cidade, entre em contato conosco! Juntos, podemos continuar construindo esse espaço de memória e cultura.


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