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terça-feira, 10 de junho de 2025

Memórias de Piratini – Entrevista com Rubens de Leão Farias

 Preservar a memória de uma cidade é também preservar as histórias das pessoas que a viveram de perto. Nesta entrevista, conversamos com Rubens de Leão Farias, morador antigo de Piratini, que compartilhou lembranças valiosas sobre o passado rural e urbano da cidade.

Entre causos, tradições e transformações, ele nos ajudou a reconstruir um retrato afetivo de uma Piratini

Foto de perfil dele

que poucos jovens conheceram, mas que merece ser lembrada. A conversa trouxe à tona costumes, festas, personagens e detalhes do cotidiano que mostram como a cidade mudou — e o que ainda permanece vivo na memória de quem viu tudo acontecer de perto.

A seguir, você confere trechos dessa conversa cheia de histórias e sentimentos.

🧒 INFÂNCIA E JUVENTUDE

“Minha infância foi a fase que mais me marcou.”

Rubens viveu no Cerro Agudo. Conta com carinho dos tempos em que a vida era simples: andar a pé até o bolicho, debulhar milho com a mão, jogar futebol em campos de terra e contar histórias à luz do lampião.

“Quando meu pai comprou uma máquina de debulhar milho, virou uma sensação. Os vizinhos iam só pra ver.”

Ele destaca como a convivência entre vizinhos e parentes era forte, com visitas feitas de carroça e longas conversas ao redor da mesa.
Sua neta, ao ouvir as histórias da infância dele, chegou a perguntar:

“Vô, tu era índio?”


🏫 ESCOLA E EDUCAÇÃO

“A escola é fundamental pra preservar a memória.”

Rubens estudou no Cerro Agudo e depois fez ginásio no Rui Ramos, em Piratini. Lembra das provas orais, da dificuldade de pesquisa, e da amizade entre os colegas.

“Todo mundo pesquisava o mesmo assunto nos mesmos livros. Os trabalhos saíam todos parecidos.”

Ele vê a escola Padre Reinaldo como um instrumento de transformação e acredita que pessoas como Juarez Machado de Farias têm papel essencial na valorização da história local.


🧭 LOCALIDADES E MEMÓRIA RURAL

Rubens fala com detalhes sobre localidades como:

  • Rodeio Velho

  • Cancelão

  • Venda da Lata

  • Cruz de Pedra

  • Caneleira

Ele cita famílias importantes (Farias, Silva, Ulguim) e sugere a criação de um mapa afetivo de Piratini, incluindo:

  • Sangas

  • Cruzamentos

  • Bolichos

  • Moradas

  • Pontos de encontro

“Esses lugares não estão no Google, mas têm história de verdade.”


🛒 BOLICHOS E VIDA COMUNITÁRIA

“Se tu queria saber novidade, tinha que ir ao bolicho.”

Na época, não havia telefone nem TV. O bolicho era o centro da vida social e política. Lá se trocavam histórias, se resolviam problemas e se fazia amizade.


📻 TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO

“O rádio pegava melhor a BBC de Londres do que as rádios daqui.”

Rubens viu a primeira TV aos 13 anos, durante o jogo Brasil x Uruguai. Lembra da emoção de ver o Pelé ao vivo.

As notícias vinham por carta — demoravam um mês para ir e voltar. Na Rádio Liberdade, de Canguçu, havia uma meia hora por dia só para notícias de Piratini.


🏘️ CANCELÃO

“Quando eu chegava no Cancelão, parecia outro mundo.”

O Cancelão é um bairro de Piratini que, até hoje, é um centro muito importante da região. A Corsan, onde Rubens trabalhou, levou água tratada até lá nos anos em que trabalhava (o que para ele foi uma grande conquista).

Imagem tirada do blog de
Juarez Machado de Farias

🛡️ GUERRAS E POLÍTICA

Guerra dos Farrapos

          Rubens respeita o valor da Revolução Farroupilha, mas ressalta:

“A gente sabe muito sobre a guerra... mas o que veio depois, ninguém lembra.”


Revolução de 1923

Foi vivida pela família dele. Um maragato invadiu a casa da sua avó, que estava com o pai dele recém-nascido no colo.
A revolução foi um levante de fazendeiros liderados por Assis Brasil, contra Borges de Medeiros, acusado de fraudar eleições.

“Foi uma briga de coronéis. Na época, o voto era no cabresto.”


✝️ PADRE REINALDO

Rubens ouviu histórias da mãe sobre o padre que dá nome à escola:

“Diziam que ele dormia no chão. Se alguém levava um colchão, ele dava pra quem precisasse.”

Padre Reinaldo era conhecido pela bondade, desapego e generosidade.


🌿 AMBIENTE, ÁGUA E FUTURO

“Piratini está em cima do Aquífero Guarani. Isso é ouro.”

Ele acredita que o futuro da cidade está na produção de alimentos e na preservação da água. E vê as escolas rurais como chave para isso:

“A escola rural tem que ensinar de um jeito que o aluno use o que aprendeu na própria casa.”


🌟 MENSAGEM FINAL

“Vocês têm a missão de preservar o que a nova geração está quase perdendo.”

clique aqui para ver a entrevista completa

Encerramento

Agradecemos imensamente ao Rubens de Leão Farias por compartilhar suas memórias e histórias tão preciosas sobre Piratini. Cada relato traz à tona um pedaço da nossa história, ajudando a fortalecer a conexão entre passado e presente.

Preservar essas lembranças é fundamental para que as futuras gerações compreendam as raízes da nossa cidade e valorizem a cultura local. Esperamos que este encontro inspire mais pessoas a conhecerem, contarem e celebrarem a rica história de Piratini.

Se você também tem histórias para contar ou fotos antigas da cidade, entre em contato conosco! Juntos, podemos continuar construindo esse espaço de memória e cultura. 

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