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segunda-feira, 23 de junho de 2025

Tragédia inesperada

Na noite do dia 22,06,25, aconteceu uma grande tragédia para todos os amantes de história, a frente da antiga Venda da Lata desabou! isso se deve com certeza a grandes ventos e chuvas que ocorreram na noite passada.

O local cujo já era muito antigo não estava nas melhores condições possíveis, a frente da casa grande está em ruinas.


Isto é um exemplo do poder que está tendo estes ventos e altas quantias de chuva, é claro que a casa não estava nas melhores condições que se podia estar.

Este acontecimento é uma grande perda para aqueles que conheciam a historia local e cresceram perto da casa.

"E não dá para construir ou reformar de novo?"  

Aqui você se engana (infelizmente)! A propriedade da Venda da lata agora é uma propriedade privada, portanto tem que ter a autorização do proprietário para fazer uma reforma.
E outro motivo mais especifico é que a Venda da Lata, mesmo em pedaços, é um fragmento da historia que a muitos anos existiu, portanto, reformar o local seria tirar suas
peculiaridades.

Realmente, é triste este acontecimento, mas felizmente, varias pessoas tiram fotos ao longo dos anos de sua existência, mesmo a casa estando destruída, a historia dela e a nossa não pode ser perdida!


Vamos juntos honrar o grande legado da Venda da Lata!

Pra isso consegui um conto chamado "O CAUSO DA VENDA DA LATA", escrito por Rubens de Leão Farias (que me deu a autorização para publica-lo aqui), a seguir aparecerá o conto:

 O CAUSO DA VENDA DA LATA

         A Venda da Lata é uma localização estratégica porque exatamente ali se encontram três subdistritos de Piratini: o terceiro o quarto e o primeiro. Nada melhor que um boliche bem ali na encruzilhada.  Farias então por aquelas bandas era “a granel”. Gente boa , segura para gastar os pilas, mas , diziam,  honestas na hora de acertar as contas.  Assim atestava o bolicheiro.

           Meu tio e padrinho Alfeu De Souza Farias tinha  um campo bem ali, de frente para a estrada real e um dos lados margeava a estrada do barrocão. Além de vizinho, o padrinho considerava o seu Lídio Farias Vargas- o dono do bolicho - um irmão querido,  amigos fraternos desde a infância. Além do mais, sempre que a lida lhe dava um alce, o padrinho  apreciava uma prosa com o amigo  que já lhe esperava com um regalo: uma cachacinha com butiá, bem curtida.

         Por ser assíduo frequentador, o padrinho sabia de cor e salteado o que tinha e o que faltava de mercadoria nas prateleiras. E da posição que ele sentava  enxergava  até  o que estava estocado na pecinha dos fundos. Naquele dia quente de novembro, depois de uma campereada, resolveu molhar a palavra antes de voltar pras casas. Logo na chegada, lhe chamou a atenção  uma enorme pilha de chapéus de palha que só podia ser vista  da posição em que se encontrava. E, entre um atendimento e outro,  a prosa seguia frouxa.

       Logo, chegaria um piá a galope  e em pelo num cavalinho tordilho.  A peou,  amarrou o matungo no cinamomo e, descalço, adentrou na venda. Trazia em uma das mãos uma varinha de marmelo; na outra uma malinha de  garupa.

   Deu um Buenas geral e foi direto às compras.

Isto tem , isto tá em falta, aquilo vai chegar... seu Lídio ia atendendo  os pedidos do guri.. Ah!! um atadinho de rapadura pra “ mamãe tomá mate” e deu. Já estava de saída o menino quando de repente, deu meia volta, colocou a mão no queixo como quem sabe que esqueceu algo e perguntou:  Já chegô os “ chapéu de palha”?

E o bolicheiro, esfregando as mãos, respondeu: Nãããooo!!! Era pra esta semana , mas o viajante me falhou!!

Foi quando meu padrinho entrou em cena, apontando com o rebenque para a peça dos fundos.

---- Chegou sim, seu Lídio!! Tô vendo uma pilha ali atrás.

---  Pois não é que chegou mesmo!!!  Barbaridade!! Ando muito  esquecido!!! Vou trazer pra você experimentar, menino!!

Na verdade, se tratava de uma estratégia de comerciante; como era artigo que saia muito rápido, os que pagavam à vista tinham prioridade. O demais ia-se administrando.. e ali era um caso de “ livreta sempre atrasada”.

Nesse meio tempo, meu padrinho sentiu que se intrometera num assunto que não devia, tentando ajudar mas atrapalhando. E ficou ali, torcendo que a venda não saísse. Mas não teve sorte. O guri aproveitou e levou chapéus de palha para a família toda.

-- Dois pra mim, mesmo tamanho pro meu irmão e pro papai e pra mamãe um número maior, faça o favor.

E, enquanto pendurava os chapéus pelo barbicacho na cana do braço, arrematou o piá:

--Papai mandou lhe dizer que quando terminar de colher o milho vem lhe pagar!!!

Nesse momento, o padrinho pulou do banco, meteu a mão no bolso da bombacha,  puxou uma pelega de cem mil cruzeiros e anunciou, nervoso:

-- Seu Lídio, desconte daqui!!! Vou lhe pagar esses chapéus !!!

É claro que o amigo não aceitou. O assunto terminou  numa risada entre grandes amigos... e num causo pra toda a vida.

 










  

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